Tireoide

Por Dra. Ronna Virgens Velloso l CRM 22521

Médica Endocrinologista



Os hormônios da tireoide desempenham importantes papéis na manutenção e na regulação do metabolismo energético. Seus efeitos fisiológicos relacionados a múltiplos órgãos consistem principalmente em promover o crescimento fetal e infantil normais e o desenvolvimento do sistema nervoso central, além de regular a frequência cardíaca, a motilidade gastrointestinal, modular o gasto de energia corporal, o metabolismo lipídico (colesterol) e o peso.


Imagem: Reprodução


A tireoide é uma glândula que pesa aproximadamente 10 a 25 gramas e está localizada na parte inferior e anterior do pescoço. Seu funcionamento inadequado pode levar a uma produção insuficiente de hormônios tireoidianos, que representa o hipotireoidismo, ou cursar com uma produção excessiva de hormônios, situação essa que caracteriza o hipertireoidismo.


O hipotireoidismo, resultante da deficiente produção ou ação dos hormônios da tireoide, pode ser primário (por mau funcionamento da própria tireoide), secundário (problemas com a hipófise, cirurgia da tireoide, iodoterapia etc) ou congênito (presente desde o nascimento). Alguns fatores de risco importantes são: idade maior que 60 anos, sexo feminino, bócio (aumento do volume da glândula), história familiar de doenças na tireoide e baixa ingestão de iodo (no Brasil, o sal de cozinha é suplementado com iodo desde 1953).


Em nosso meio, a tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo, trata-se de uma doença autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antitireoperoxidase (anti-TPO). O hipotireoidismo apresenta várias manifestações clínicas, sendo algumas delas: fraqueza muscular, sonolência, pele seca e descamativa, intolerância ao frio, voz arrastada, queda de cabelos, déficit de memória e constipação intestinal.


O diagnóstico é feito com a dosagem do TSH (hormônio produzido pela hipófise, glândula que estimula a tireoide) e do T4 livre (hormônio tireoidiano). Os anticorpos também podem ser dosados para avaliação da causa da doença. O tratamento é realizado com a reposição do hormônio tireoidiano (levotiroxina sódica). A dose ideal para reposição varia de acordo com a idade e o peso do paciente e deve ser definida a partir da monitorização clínica e laboratorial.


O hipertireoidismo tem como causa mais comum a Doença de Graves (80% dos casos), que é uma doença autoimune com prevalência variada, de 3% nas mulheres e 0.5% dos homens ao longo de suas vidas, sendo 5 a 10 vezes mais comum em mulheres do que nos homens, e resulta da interação entre a suscetibilidade genética e fatores ambientais como tabagismo, estresse, radioterapia, entre outros.


Na doença de Graves, ocorre um aumento da taxa de produção e secreção dos hormônios tireoidianos. Suas manifestações clínicas são decorrentes do efeito estimulatório dos hormônios tireoidianos sobre o metabolismo. Entre as mais comuns, incluem-se: nervosismo, insônia, emagrecimento (apesar do aumento da fome), taquicardia, sudorese excessiva com pele quente e úmida, tremores e fraqueza muscular. Essas manifestações podem se associar com bócio difuso (aumento difuso do volume da tireoide) e oftalmopatia (inflamação ocular). O diagnóstico é realizado com a dosagem dos hormônios da tireoide (T4 e T3), do TSH e complementado pelos anticorpos antitireoidianos.


Em situações específicas, alguns exames complementares podem ser necessários, como a ultrassonografia da tireoide, a captação de iodo radioativo e a cintilografia da tireoide. A partir da história clínica e dos exames laboratoriais, podemos estabelecer o diagnóstico do hipertireoidismo e excluir outras causas de alteração dos hormônios tireoidianos. O tratamento do hipertireoidismo secundário à doença de Graves, sua principal causa, pode ser feito com drogas antitireoidianas (tionamidas, como Tapazol® e propiltiouracil), através da destruição da tireoide usando iodo radioativo ou da remoção cirúrgica da tireoide.


No Brasil, o tratamento inicial costuma ser o uso de drogas antitireoidianas. Contudo, todas as opções de tratamento apresentam vantagens e desvantagens e, por isso, só a partir da avaliação médica é possível, junto com o paciente, definir a melhor forma de tratamento.

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