Síndrome de Burnout

Por Dra. Ana Virginia Paiva Damasceno

Médica Psiquiatra l CRM/BA 19173


A chamada “vida de adulto”, para quem a encara com a necessária responsabilidade, traz inúmeras atribuições e compromissos, de ordem pessoal, afetiva e profissional. Neste último aspecto, o do trabalho, pode existir condições ou situações nas quais o indivíduo passe a ter uma intensa sobrecarga, acumulando tensões e esforços, tanto mental e emocional quanto físico, relacionados às funções laborais. Quando isso ocorre, se as circunstâncias não forem bem administradas, há a possibilidade de se gerar um esgotamento profissional, devido a um desgaste extremo. Esse quadro é considerado uma Síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas agrupados, que deve ser avaliado e diagnosticado por um profissional capacitado na área de Saúde Mental.


O termo utilizado para definir este conjunto de sintomas é Síndrome de Burnout (pronuncia-se “burnaut”). Em inglês, a expressão pode ser traduzida como “fim da combustão” ou “término da queima do combustível”. Seu equivalente na língua portuguesa é Síndrome do Esgotamento Profissional. Esse diagnóstico não corresponde a um simples cansaço ou a um estresse transitório. A Síndrome compreende um transtorno causado por uma contínua exposição a fatores de trabalho que geram diversos e graves sintomas, psíquicos e físicos, causando exaustão no indivíduo. Manifesta-se, principalmente, em pessoas que exercem funções que requerem sérias responsabilidades, jornadas longas, exposição frequente ao perigo, com risco à vida, envolvimento interpessoal intenso e direto. Como exemplos, podemos citar policiais, bombeiros, bancários, agentes penitenciários, mulheres com jornada dupla (profissional e doméstica), profissões nas áreas de Saúde, Educação, Assistência Social.


Um indivíduo que apresenta Síndrome de Burnout pode manifestar distúrbios no humor (mudanças bruscas, depressão, irritabilidade), ansiedade, transtornos cognitivos (perdas na concentração, lapsos de memória, raciocínio lento). Mais raramente, pode manifestar distúrbios psicóticos. Também apresenta sintomas físicos, como cefaleias (dores de cabeça), aumento da pressão arterial, dispneia (falta de ar), taquicardia (palpitações), dores musculares, insônia, distúrbios no aparelho gastrointestinal (diarreia, constipação, azia), alterações no apetite, tonturas, náuseas, entre outros.


Os sintomas são vários e atingem tanto aspectos emocionais quanto físicos. O fundamental para esse diagnóstico é que sejam causados por circunstâncias referentes às atividades laborais. Para quadros gerados por fatores de origem afetiva ou física existem outros diagnósticos psiquiátricos. Essa síndrome não tem um diagnóstico fácil, sendo necessário procurar uma avaliação especializada. O médico psiquiatra ou psicólogo são os profissionais indicados.


Em caso de surgimento de sintomas que possam se enquadrar nessa síndrome (ou em qualquer outro diagnóstico psiquiátrico), deve ser evitada a procura de um enganoso alívio no uso de bebidas alcoólicas ou de substâncias ilícitas (drogas), pois isso agravaria ainda mais o quadro clínico e dificultaria o diagnóstico correto para garantir um tratamento eficaz. A automedicação também não deve ser feita, mesmo que se tenha acesso a medicamentos de controle especial, que só devem ser usados por prescrição médica.


A terapêutica inclui sessões de psicoterapia e uso de medicamentos prescritos, a depender dos sintomas, podendo ser utilizados ansiolíticos, antidepressivos ou indutores do sono. Quando o indivíduo fica apto a retornar às atividades profissionais, são necessárias mudanças nas rotinas laborais. A depender de cada caso, transferências de local ou setor de atividade podem ser recomendadas, bem como redução da jornada ou uma readaptação funcional.


A Síndrome de Esgotamento Profissional pode ser prevenida, com rotinas pessoais que favoreçam saúde física e mental. Recomendam-se atividades físicas regulares, uma alimentação saudável, noites de sono adequado, descanso semanal com lazer, vida social satisfatória. Períodos de férias devem ser intercalados aos meses de trabalho. Um ambiente profissional no qual seja possível um bom relacionamento com colegas é importante.

O trabalho é um meio importante de realização e satisfação pessoal, além de garantir uma qualidade de vida digna, porém, devemos exercê-lo com sabedoria, programando nossas atividades de forma a não acarretarem sobrecargas que venham a gerar esgotamento de nossas energias físicas e psíquicas. Ao menor sinal de intenso cansaço, como consequência de um extremo desgaste, devemos procurar ajuda indicada e adequada para restaurarmos nosso equilíbrio.

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