Hospital da Mulher: referência no atendimento às gestantes e puérperas na Bahia

Por Sarah Sanches, jornalista

O Hospital Inácia Pinto dos Santos (HIPS), localizado no bairro Jardim Cruzeiro em Feira de Santana, também conhecido como Hospital da Mulher, completou 27 anos no último dia 31 de janeiro. Inicialmente chamado de Hospital Santa Maria, plano de médicos da rede particular de saúde, foi assumido pela Prefeitura que o transformou em unidade da Secretaria de Ação Comunitária. Em 1988, durante mandato do ex-prefeito Colbert Martins da Silva, foram iniciadas as obras do HIPS.


Inaugurado quatro anos depois, no ano de 1992, como a primeira unidade de saúde no estado da Bahia voltada exclusivamente para o atendimento às mulheres, recebeu esse nome em homenagem à mãe de Chico Pinto, prefeito eleito de Feira em 1964 que foi destituído pelo Regime Militar e se tornou preso político. Inácia Pinto compôs diferentes associações da cidade, bem como a Santa Casa da Misericórdia, tornando-se uma figura importante pela sua história e ações em função da comunidade.


Nessas quase três décadas em que está de portas abertas, já passou por diferentes reformas e ampliações em termos de infraestrutura, corpo clínico e serviços prestados. Em 2018, dentre as conquistas e melhoras alcançadas, está a implantação da residência médica na área de ginecologia e obstetrícia, em convênio com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e outras instituições, demonstrando o caráter de importância do hospital para o Estado.


O hospital conta hoje com obstetrícia emergencial, pré-natal de alto risco, berçário de médio risco, leitos de UTI neonatal, casa da puérpera, projeto Mãe Canguru, ambulatório de pediatria, atendimentos na área de psicologia infantil, fonoaudiologia e fisioterapia, além do Banco de Leite, que é, ele próprio, referência. Credenciado na categoria A Foto: ASCOM/Prefeitura de Feira de Santana pela Rede Global de Bancos de Leite

Humano, coletou apenas em janeiro deste ano 82,1 litros de leite materno, quase 30 litros a mais que o ano anterior.


Gerido pela Fundação Hospitalar de Feira de Santana (FHFS), o HIPS é o único, atualmente, com serviços obstétricos disponíveis para o atendimento das gestantes de Feira de Santana e região, atendendo mais de 28 municípios circunvizinhos, o que o coloca diante de uma demanda enorme de pacientes. Para este ano, ainda mais projetos em andamento, como a Casa de Parto intra-hospitalar, com novos leitos para partos humanizados, e outra extra-hospitalar.


Buscando condições cada vez melhores e mais humanizadas para atender as mulheres de Feira de Santana e região, apesar de todas as dificuldades, comuns à saúde pública brasileira, o Hospital da Mulher se mantém prestando serviços de excelência para gestantes, puérperas e recém-nascidos, consolidando-se a cada ano como referência estadual de atendimento materno-hospitalar.


MaisSaúde: Qual o volume de atendimento do Hospital da Mulher?

Dra. Márcia D’Amaral: Hoje, nós temos 1000 atendimentos ao mês de pacientes vindas de Feira de Santana e das regiões circunvizinhas. Estamos na central de regulação, recebendo pacientes reguladas de outros municípios que fazem parte da região centro-leste. Portanto, fazemos em média 300 procedimentos cirúrgicos, entre curetagens e cesarianas, e cerca de 400 a 500 partos naturais por mês, uma quantidade realmente muito grande.

MaisSaúde: Qual a missão e visão do hospital? E quais atendimentos são prestados?

Dra. Márcia D’Amaral: Bom, nossa missão é o atendimento feito com equidade, onde todas sejam atendidas de forma igual e humanizada, visando os princípios do SUS. Além disso, não podemos negar atendimento a nenhuma paciente que nos procure e, portanto, temos uma emergência 24 horas que está sempre de portas abertas. Apesar de tudo isso, temos sofrido por conta da restrição de alguns serviços em Feira de Santana. Nós tínhamos a casa de Saúde Santana, que fechou, tínhamos o Mater Dei, mas a obstetrícia acabou recentemente, havia o Hospital Dom Pedro, que tinha também atendimento obstétrico, mas que acabou. Então, hoje em dia, nós estamos aqui sozinhos atendendo essa demanda e conseguindo dar conta, apesar da crise no sistema de saúde pública. Claro que existem dias em que a demanda está muito grande, mas temos tentado na medida do possível atender a todas da forma mais humana e justa possível. Nós temos hoje um quadro de médicos ampliado, com dois anestesistas, três médicos obstetras 24 horas, instrumentadores cirúrgicos e enfermeiras obstetras, que ficam na conduta dos partos naturais e, há cerca de um ano, recebemos a residência médica em convênio com a UEFS. Então, temos também médicos residentes que fazem acompanhamento junto com os preceptores dos pacientes, eles ficam tanto na parte cirúrgica, quanto no atendimento, como na enfermaria. Assim, além de sermos um hospital de assistência, nós somos um hospital escola, com campos de estágio para os cursos de medicina, enfermagem, fisioterapia, de farmácia, de todas as especialidades ligadas à área de saúde, melhorando a qualidade de serviço através dos estudantes. Temos também 78 leitos de obstetrícia, oito leitos de UTI, oito de UCI, que são berçários, e doze leitos de método canguru, que é aquele onde a mamãe fica com o bebê no colo o tempo inteiro. Temos uma casa da puérpera, que é o lugar onde ficam as mães que têm bebês que estão na UTI e não podem voltar para casa. E, por fim, temos um banco de leite muito bem estruturado, considerado padrão Ouro pela UNICEF, com uma coordenação excelente, que é feita por uma estudiosa no assunto, graduada em Ciências Biológicas, especialista em Manejo da Lactação, e Doutoranda em Saúde Coletiva, a Camilla da Cruz Martins.

MaisSaúde: E com relação ao pré-natal? Ele pode ser feito aqui?

Dra. Márcia D’Amaral: Temos quatro pré-natais de alto risco, porque o pré-natal de baixo risco tem que ser no posto, é atenção básica, premissa do SUS, já os hospitais assumem o alto risco. No nosso caso, é alto risco tipo 1, ou seja, atendemos gestantes com algumas patologias que não são tão graves, já que não temos UTI materna, só temos UTI pré-natal. E o HEC é tipo 2, que é o mais especializado. Nós atendemos gestantes com diabetes mellitus do tipo gestacional, diabetes sem complicação, que a paciente não vai precisar ir para a UTI. O HEC já atende pacientes diabéticas complicadas, com problema renal, com problemas outros, e, no caso da hipertensão a mesma coisa, a crônica pode ser atendida aqui, mas a paciente com pré-eclâmpsia que vai precisar de UTI, assim como aquela que tem anemia falciforme, entre outras doenças, só no HEC.

MaisSaúde: O hospital pretende aumentar o espaço físico, já que ele tem sido o único local de atendimento para as mulheres de Feira de Santana e região?

Dra. Márcia D’Amaral: Nós passamos para os responsáveis que estamos sobrecarregadas por conta da demanda, mas existe um planejamento que é feito a nível estadual primeiro e depois municipal. Hoje só acolhemos obstetrícia, só a parte de quem vai parir. Vamos precisar de mais espaço! A gente tem projetos para ampliação de leitos, para ampliação de serviços. Não podemos, por exemplo, atender ginecologia porque não temos espaço para isso hoje, mas é uma ideia, inclusive, do próprio prefeito que quando assumiu falou sobre colocar ginecologia dentro do hospital. Esperamos que, em um futuro próximo, possamos aumentar, talvez não os leitos, porque toda vez que temos só uma porta aberta, a gente pode ter problemas, como, por exemplo, pode acontecer um incêndio, pode acontecer qualquer coisa e você fica com uma porta só aberta, não tem como. Talvez seja necessário outro serviço para acidentes de baixo e médio risco na cidade, mas aí é uma questão para a gestão pública.


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