Como eu não percebi isso antes?!

Por Dra. Leonora Leal

Oftalmologista especialista em oftalmopediatria e estrabismo l CRM 13488


Esta pergunta é uma das mais frequentes nos consultórios de oftalmopediatria, feita por pais incrédulos durante a consulta ao constatarem que sua criança tem um problema visual importante, em um ou em ambos os olhos, que não foi notado no dia a dia. E por que isso ocorre? A resposta envolve vários fatores, mas um dos mais importantes é o de que muitas crianças, embora apresentem dificuldade visual, não dão sinais tão evidentes a ponto de chamar a atenção dos pais, já que, em sua maioria, não se queixam de baixa visão e se adaptam à percepção visual que apresentam.


Os erros refrativos em crianças, popularmente conhecidos como “grau”, são identificados como problema de saúde pública, sendo a principal causa de deficiência visual naqueles em período escolar.



Estima-se que 12,8 milhões de crianças, entre 5 a 15 anos, apresentam deficiência visual por erros refrativos não corrigidos.

Em outro extremo, as mudanças sofridas na percepção visual podem levar a alterações do desenvolvimento motor e de comunicação, estes, sim, logo notados pelos pais, que buscam atendimento para estas questões e nem sempre são orientados a procurar um oftalmologista para avaliação multidisciplinar necessária.


Ocorre ainda que muitos pais têm uma falsa tranquilidade de que tudo está bem com a sua criança porque o teste do olhinho, feito ao nascer, não apontou alterações. Esse é um dos grandes problemas que o oftalmopediatra enfrenta: conscientizar os pais de que o teste do olhinho, associado à avaliação oftalmológica do bebê, ajuda a detectar as principais causas de deficiência visual infantil, quais sejam: catarata congênita, retinopatia da prematuridade, glaucoma infantil, toxoplasmose ocular, entre outras.


O problema se torna ainda mais sério quando apenas um dos olhos tem menor visão, já que a estimulação visual necessária só consegue ser feita, na grande maioria dos casos, até, aproximadamente, os sete anos de idade. E quanto mais próxima a esta idade se inicia o tratamento, piores são as chances de recuperação visual do olho afetado. É importante lembrar que não é preciso esperar que a criança saiba falar para levá-la até o oftalmopediatra, já que há formas de avaliar a criança de acordo com a faixa etária, independente dela poder ou não verbalizar seus sintomas. Além disso, devem ser alertados de que o exame oftalmológico completo deve ser repetido anualmente, pois a visão da criança está em desenvolvimento.



Então, é preciso estarmos atentos a alguns pequenos sinais, como coçar ou apertar os olhos com frequência, franzir a testa ao observar algo, levar um objeto muito próximo aos olhos, lacrimejamento ou sonolência ao ler, interromper atividades de estudo com frequência. Como estes são os sintomas mais comuns e perceptíveis, em boa parte dos casos, são as professoras/cuidadoras as primeiras a observar alguma alteração e a comunicar aos pais, que devem valorizar a informação e prontamente buscar por uma avaliação oftalmológica para esclarecer a dúvida.

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