Câncer de Colo de Útero: o diagnóstico precoce pode salvar a sua vida!

Terceiro tumor mais frequente entre mulheres, o câncer de colo de útero possui alta taxa de letalidade. O diagnóstico em sua fase precursora, contudo, garante a cura em quase 100% dos casos.


Por Sarah Sanches, jornalista

A Campanha Março Lilás é uma iniciativa adotada por diferentes municípios e estados brasileiros com o objetivo de conscientizar a população feminina para a importância da realização dos exames ginecológicos de rotina e da vacinação contra o HPV, concorrendo para a prevenção e combate ao câncer de colo de útero. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), ele é o terceiro tumor maligno mais frequente entre mulheres adultas e possui alta taxa de letalidade, sendo a quarta principal causa de morte deste grupo no Brasil.

Nos últimos três meses de 2017, três mulheres foram diagnosticadas com câncer de colo de útero em Feira A informação é da Fundação Hospitalar de Feira de Santana (FHFS), que aderiu à campanha com programações especiais marcadas por palestras, rodas de conversa, coffee breaks e apresentações musicais. No ano passado, foi disponibilizado mutirão de atendimento para a realização do preventivo, com cerca de 60 triagens por dia. Somaram força à campanha em 2018: o Centro Municipal de Prevenção ao Câncer Romilda Maltez (CMPC), o Hospital da Mulher e a Polícia Civil, através do Grupo de Comando da Ronda Maria da Penha.



O HPV e o Câncer de Colo de Útero


Também chamado de câncer cervical, a doença é caracterizada pela presença de lesões invasivas que começam na região final do canal vaginal, afetando o cérvix, parte mais baixa do útero, e se estendem para o interior do órgão. Assintomáticas e de desenvolvimento lento, as lesões são identificadas apenas com o exame preventivo, ou Papanicolau, que, através da coleta das células presentes no colo do útero, investiga possíveis alterações morfológicas que possam indicar a presença do Papiloma Vírus Humano, o HPV, principal responsável pelo desenvolvimento deste e outros cânceres. Além disso, o exame identifica outras condições patológicas e não cancerígenas, como doenças sexualmente transmissíveis e infecções por fungos ou bactérias, o que o torna indispensável para a manutenção da saúde íntima.


Em entrevista à MaisSaúde, a Dra. Valeska Ferraz, médica ginecologista que integra a equipe da clínica Master Saúde, explica a relação entre o HPV e o Câncer de Colo de Útero: “É uma relação muito íntima, eles andam juntos. Isso não quer dizer que a paciente que teve contato com o vírus do HPV, vai ter uma lesão. Depende do tipo de vírus com que ela teve contato porque o HPV tem uma família muito extensa, desde as mais virulentas e agressivas às mais tranquilas”.

Dra. Valeska Ferraz, médica ginecologista


Com mais de 150 subtipos, o HPV é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que varia entre aqueles de baixo risco, classificados como NIC 1, aos de alto risco, classificados como NIC 2 ou 3. Dentre os subtipos do vírus, o HPV-6 e o HPV-11 são as causas mais comuns dos condilomas genitais, as temidas verrugas, sendo de baixo risco e rapidamente tratáveis, requerendo às vezes apenas observação e melhora da imunidade. Já o HPV-16 e o HPV-18 estão presentes em cerca de 70% dos diagnósticos de câncer cervical e, portanto, são considerados os subtipos de maior risco oncogênico. Ao menos outros 13 subtipos do vírus são considerados de alta agressividade, sendo capazes de gerar neoplasias, não apenas no colo útero, mas também na garganta, pênis ou ânus.


Assim como o próprio câncer de colo de útero, a infecção por HPV não apresenta sintomas, salvo, em alguns casos, pelo aparecimento de verrugas, ou condilomas acumulados, em diferentes partes do corpo, não apenas nos órgãos genitais, mas também em mucosas e na pele. “Quando a enfermidade se instala, pode aparecer uma verruguinha, um corrimento leve ou você não sente nada. Geralmente, a verruga na vulva, ou no pênis do companheiro, é o principal sintoma que faz com que as mulheres procurem um ginecologista”, comenta a médica.

A prevenção primária é a melhor saída


Felizmente, as estatísticas mais atuais demonstram que 44% dos casos diagnosticados no Brasil são de lesões in situ precursoras do câncer, ou seja, aquelas que ainda estão restritas ao cérvix e que não desenvolveram características de malignidade, fase na qual a doença pode ser curada na quase totalidade dos casos. Essas lesões são, geralmente, diagnosticadas em mulheres entre 25 e 40 anos, ao passo que o câncer uterino acomete principalmente mulheres acima dos 45 anos. O que pode ser justificado pelo desenvolvimento lento da doença, que pode levar de 10 a 20 anos para apresentar sintomas. Com o avanço da doença, sintomas como sangramento vaginal, corrimento e dor começam a aparecer. Em casos avançados da doença, outros sintomas como dores lombares e abdominais, obstrução das vias urinárias e perda de peso também são comuns.

Dra. Valeska reforça, fazendo coro à campanha do Março Lilás, que a prevenção é a melhor forma de cuidar da saúde íntima feminina no que se refere ao HPV e ao câncer cervical: “É preciso usar camisinha. Além disso, nós temos a vacina contra o HPV, que protege em 70%. Meninas e meninos, antes de iniciarem a vida sexual, deveriam ser vacinados, mas, infelizmente, muitas mães não querem porque confundem cuidar da saúde dos filhos com incentivá-los ao sexo”.


“Escolher ter relação sexual com camisinha é uma escolha, uma escolha positiva para a vida da mulher. É dizer “eu me amo, eu amo o meu parceiro, por isso vamos usar camisinha”. Existe ainda um preconceito muito grande com o uso da camisinha. A gente tem que ter preconceito de ficar doente, de comprometer nossa saúde”, Valeska Ferraz.


A vacina contra o HPV fortalece a imunidade contra os quatro tipos mais comuns de HPV, oncogênicos e não oncogênicos. Dada em forma de injeção, ela pode ser aplicada gratuitamente em crianças de 9 a 14 anos, através do SUS, em postos de saúde e nas campanhas realizadas dentro das escolas públicas. Algumas clínicas particulares também aplicam a vacina, inclusive em adultos, embora não seja comprovado o nível de eficácia da vacina após o contato com algum tipo de vírus, o que pode ocorrer a qualquer momento a partir do início da vida sexual. Em países desenvolvidos, a vacinação e o rastreamento precoce têm sido as principais ferramentas para a diminuição significativa no número de mortes por câncer de colo de útero.

O uso de camisinha e a vacina não dispensam a necessidade de manter os exames ginecológicos em dia. Ainda que sejam formas de proteção efetivas e indispensáveis, nenhuma impede em 100% o contato com o vírus. Ademais, o uso da camisinha apenas durante a penetração não é o suficiente. “Por causa das diferentes práticas sexuais, o HPV não produz lesão só no colo do útero, produz lesão no ânus e lesão em garganta. Se você faz sexo oral com alguém contaminado pelo vírus, você vai ter uma lesão de HPV em boca, em faringe, em orofaringe e você pode ter um câncer de boca produzido pelo HPV, porque ele se instala em qualquer mucosa”, alerta a ginecologista. Nesse sentido, ainda que as mulheres heterossexuais sejam o principal grupo de risco e aquelas mais diagnosticadas com a IST, ela também é encontrada em homens homossexuais e entre lésbicas.


“É importante a gente aprender a gostar de fazer o papanicolau. É rápido, não é doloroso, é tranquilo, tem um incomodozinho porque estamos mexendo na sua parte mais íntima, mas é tranquilo. Todo mundo quando vai para o preventivo, “poxa, eu odeio esse exame”. Minha resposta: “mas esse exame pode salvar tua vida”. Dra. Valeska Ferraz


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