Anemia Falciforme

Por Dra. Evanilda Carvalho

Enfermeira, Mestre e Doutora em Enfermagem, Professora da Universidade Estadual de Feira de Santana


Embora a doença falciforme tenha sido descrita há mais de cem anos e, no Brasil, haja cerca de 60 mil pessoas vivendo com a doença, ela ainda é desconhecida para a maioria dos brasileiros. Assim, visando reduzir a invisibilidade do problema que acomete grande parte da população no mundo, o dia 19 de junho foi instituído como Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme pela Assembleia Geral das Nações Unidas buscando tornar a doença conhecida e, assim, ajudar a superar as barreiras impostas aos adoecidos e seus familiares, como discriminação, estigma e sofrimento.


A anemia falciforme

A anemia falciforme é uma doença hereditária, na qual as células vermelhas do sangue assumem o formato de foice e morrem prematuramente, causando anemia e obstruindo o fluxo sanguíneo em diversos órgãos, provocando infartos, inflamação e fortes crises de dor. Em situações de desidratação, estresse, baixas ou altas temperaturas, as células vermelhas do sangue tendem a assumir a forma de foice mais rapidamente. Por isso, as pessoas com doença falciforme necessitam se manter hidratadas, proteger-se do frio, bem como do calor. Em um dia comum de sol, um banho demorado ou exposição em piscinas e banhos de mar podem precipitar crises, assim como estar com roupa molhada. Ambientes com ar condicionado ou dias frios também são estímulos para alterar as células e provocar nova crise.


Hemoglobina em formato de foice. Foto: Reprodução


Presente em todo o mundo e mais frequentemente nas populações afrodescendentes, a doença no Brasil é diagnosticada em cerca de 3.500 crianças que nascem por ano, sendo os estados com maior número de casos a Bahia, o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Para cada 17 pessoas que nascem na Bahia, uma delas tem o traço da doença falciforme - ou seja, possui um dos genes responsáveis pela doença, que é caracterizada pela alteração genética da hemoglobina. A cidade de Feira de Santana possui a segunda maior população com doença falciforme no estado da Bahia, com um total de 480 pessoas já cadastradas no Centro Municipal de Referência a Pessoas com Doença Falciforme.


Dentre as principais complicações, destacam-se as crises dolorosas que afetam músculos nos braços, pernas, articulações, tórax, abdômen e costas, ou pode se apresentar em todo corpo de uma só vez. As crises dolorosas são responsáveis pela frequente busca de ajuda nas unidades de emergência, cenário no qual muitas vezes os adoecidos têm suas queixas desvalorizadas e são confundidos com viciados em drogas. Pessoas com essa doença padecem ainda, desde a infância, com úlceras de difícil cicatrização, alteração no baço, problemas pulmonares graves, necrose de cabeça do fêmur, problemas graves de retina comprometendo a visão e acidentes vasculares cerebrais (AVC).


A doença falciforme é diagnosticada por meio da triagem neonatal, popularmente conhecida como teste do pezinho, entre o 3º e o 7º dia de vida. Crianças com mais de quatro meses de idade, assim como jovens e adultos que não passaram pelo teste do pezinho, devem ser submetidos ao exame de eletroforese de hemoglobina para obter o diagnóstico.


O tratamento implica no autocuidado, uso de vitaminas, vacinas especiais na infância, transfusões sanguíneas, penicilina para prevenir infecções respiratórias, hidroxiureia e ácido fólico para estimular a produção das hemácias, monitorização de exames mensalmente, de preferência por um hematologista, dentre outras medidas protetoras como acesso a consultas de enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutricionista, odontologia e assistência social, para assegurar atenção integral, controlar complicações e promover a qualidade de vida.

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