Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Brasil: contexto na atualidade

Atualizado: Jul 9

Dr. Matheus Gaspar Freitas

Neurologista l CRM 26304


Ao longo das últimas décadas, houve uma mudança na tendência das causas mais frequentes de morte natural (não violenta) no Brasil. Com melhor qualidade de saneamento básico, vacinação, surgimento de novos tratamentos medicamentosos, as doenças infectocontagiosas tiveram grande redução e, atualmente, as doenças crônicas - que acompanham o paciente durante toda a vida - são responsáveis pela maior fatia de mortalidade da população geral.


O acidente vascular cerebral (AVC) é a segunda maior causa de morte no Brasil, sendo também frequentemente associada à grande morbidade, ou seja, deixa sequelas neurológicas que incapacitam a vida do paciente, que perde capacidade laborativa e se torna dependente de terceiros para atividades do cotidiano.


O AVC, conhecido popularmente como derrame, é definido pela ocorrência de morte do tecido nervoso em decorrência de agressão ao cérebro.

Existem dois tipos de AVC: isquêmico e hemorrágico. A isquemia ocorre por conta da redução ou abolição do suprimento sanguíneo - incluindo oxigênio e nutrientes - a uma área específica cerebral, ocasionando morte de neurônios. A hemorragia consiste no extravasamento de sangue em alta pressão dentro do encéfalo, com alteração/destruição da estrutura cerebral normal.


É fundamental conscientizar a população geral sobre o impacto social, econômico e na saúde pública do Brasil, ocasionado por esta grande frequência do acidente vascular cerebral. Existem diversos fatores de risco para ocorrência de AVC, sendo a hipertensão arterial o principal. Também fazem parte da lista: diabetes, dislipidemia (excesso de colesterol ou triglicerídeos na circulação), tabagismo, obesidade e sedentarismo.


Na última década, chama a atenção que a prevalência de AVC em homens tem reduzido de forma significativa. A principal justificativa para esta mudança é a maior conscientização pública, incremento nas estratégias para promoção de saúde, atividade física e prevenção das doenças citadas como fatores de risco.


Já dentre as mulheres, houve um incremento na proporção de AVC na última década, marcadamente entre os anos de 2010 a 2015. Apesar de não haver explicação definida para justificar esse aumento, existem algumas hipóteses principais, dentre elas, a maior expectativa de vida entre mulheres - por isso permanecem expostas aos fatores de risco por tempo mais prolongado, bem como o uso em larga escala de anticoncepcionais orais e terapias hormonais - que são voltadas principalmente ao público feminino -, haja vista que há evidência consistente que estes tratamentos aumentam o risco de isquemia cerebral. Ademais, o aumento da jornada de trabalho das mulheres pode justificar um estilo de vida com maior estresse emocional, redução de autocuidados, menor prática de atividade física e alimentação de pior qualidade.


A depender do local acometido do cérebro, os sintomas podem variar bastante, sendo muito frequente a ocorrência de fraqueza restrita a um lado do corpo, alterações na capacidade de se comunicar, fala embolada, alterações visuais, assimetria da face com desvio da lateral da boca. Também chama a atenção que os sinais costumam surgir de forma abrupta. Pela clareza e consistência dos sintomas, qualquer cidadão pode reconhecer estes casos, tendo a oportunidade de encaminhar de forma emergencial estes pacientes para o pronto-socorro.


O tratamento é mais eficaz quando iniciado precocemente: reduzindo a mortalidade e o grau de sequelas na fase de recuperação do AVC. Disseminar estas informações é uma importante atitude no objetivo de controlar esta patologia.

10 visualizações
maisaude
  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram

© Mais Arte Publicidade 2020