A quantas anda a saúde da mulher?

Por Hellin Galisteu, psicóloga

CRP 06/100.790


Houve uma época em que as mulheres eram mantidas pelos homens. Manutenção vem de duas palavras: manu, mão; e tener, ter; ou seja, quem mantém, tem na mão. Pensando não só na etimologia do termo, para além do significado real, mas também no significante psicanalítico: Manus Tensão, estar na mão do outro gera tensão, submissão e adoecimento, remetendo a situações abusivas e, muitas vezes, humilhantes. Este era o cenário da grande maioria das mulheres, ficavam na retaguarda da casa e filhos enquanto os homens as mantinham neste lugar de importância ou de falta de importância.


Frente à pobreza psíquica, ao baixo reconhecimento de suas capacidades e à dependência emocional dos filhos, muitas decidiram estudar e se lançaram no mercado de trabalho, buscando evoluir, aprender, contribuir socialmente e economicamente, assim sendo, submetem-se à dupla função.

Essas mulheres, muitas vezes, além de realizarem o trabalho formal, externo ao lar, ao retornarem exauridas para suas casas, se deparam com todas as tarefas domésticas, isso agregado ao trabalho trazido pelos próprios filhos, aos problemas relativos aos cônjuges, às cobranças no que diz respeito à atividade sexual, às suas necessidades fisiológicas e de higiene, além de ginástica, manicure, cabelereiro, consulta médica, odontológica e psicológica. Tudo isso podendo agravar as condições físicas, o aproveitamento da própria vida e as condições emocionais com a responsabilidade de exercer múltiplas atividades, acionando descargas hormonais que aumentam o estresse, a ingesta alimentar e consequentemente o sobrepeso, podendo levar à obesidade, sem falar em alterações imunológicas, insônia ou hipersonia, que somados a essa dupla jornada podem gerar, em alguns casos, quadros de síndrome de pânico e/ou quadros depressivos.


Isso implica em todo esse panorama, reflexo de uma mudança cultural na qual a dupla jornada não seja somente da figura feminina, em que sendo mãe têm que ensinar aos filhos homens que os trabalhos domésticos podem e devem ser compartilhados, assim como a educação dos próprios filhos. Portanto, podemos inicialmente concluir que, para fazer uma prevenção do adoecimento físico, deve-se buscar a prevenção por meio da saúde emocional, onde haverá um espaço profissional de sigilo e acolhimento, para que todas essas questões que assoberbam a saúde da mulher, possam ser faladas e repensadas no sentido de encontrar soluções mais saudáveis e menos sacrificantes.

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